Manifesto – A Importância da Arte no Mundo | The Importance of Art in the World

6 de junho de 2017, by erica

“I see art not as gratuitous invention, but as intellectual development of man in history” – Jesús Rafael Soto

Desde quando consigo me lembrar, fui sempre muito ligada à arte e cultura. E como este blog (e o Instagram) está cada vez mais se tornando um reflexo dessa minha paixão, resolvi explicar por que eu amo a arte e o que eu penso sobre a história da arte. Não é propriamente um manifesto, mas um início de discussão… afinal, qual é a importância da arte no mundo?

Para mim, a arte e a produção artística não é apenas um produto a ser consumido. A arte é, na minha visão, o resultado de situações econômicas, sociais, filosóficas, antropológicas, espirituais e físicas que influenciam um ser humano com dons e talentos a sair de si mesmo e produzir para o mundo. A arte é a representação da biografia de um artista, mas também do panorama em que este mesmo artista está inserido. Neste sentido então, a arte se torna o articulador máximo da história. A arte é o produto (ou apenas o conceito — em outro post explico mais) que caracteriza a época que foi produzido. Sendo um articulador, a carga visual da imagem não mostra apenas escolhas estéticas, mas mostra toda a caracterização do período em que foi criada. As artes visuais podem ser confusas… mas sabendo como ler a imagem, ela nunca mente.

Além disso, a história da arte é também a história visual do ser humano. Nós somos seres que apreendem conceitos e realidades por imagens. Tendo um background em história da arte, nem que seja mínimo, é mais do que fundamental para conseguirmos distinguir e compreender imagens no séc. XXI. Estamos em uma era que a imagem é a forma de comunicação escolhida. Antes focada em texto e em interpretação de texto, a imagem hoje é a principal forma de compreender o mundo.

As imagens podem ser manipuladas, cortadas e re-colocadas em contextos diversos das que foram produzidas para influenciar gerações a determinados pensamentos. Sabendo ler essas imagens, através de uma carga de conhecimento de história da arte, pode-se perceber manipulações se houver, e até entender a real mensagem que está sendo passada. Por exemplo, você sabia que o Surrealismo (movimento artístico e ideológico do século XX) está presente até hoje em nossa realidade? Estamos vivendo em ondas ocasionadas pelo Surrealismo e ainda o vivemos através de inúmeras referências visuais.

Eu defendo um ensino de arte amplo e inclusivo. Com esse ensino, poderemos não só compreender a história do desenvolvimento intelectual, emocional, psicológico e espiritual do ser humano, mas também poderemos ser agentes interpretativos das imagens que nos rodeiam. Podemos entender toda essa matrix  e não sermos apenas consumidores passivos das centenas de visuais que nos cercam, mas sim, sermos críticos dessa massa imagética.

Tendo um conhecimento artístico, podemos integrar e abraçar a todos. Compreender o outro através da carga imagética que o outro trás não é só válido, é necessário para podermos nos colocar em seu lugar, e experimentar o mundo por diferentes olhares, por diferentes imagens… A arte pode excluir, como tanto já o fez, mas também pode incluir. E eu defendo a abrangência de imagens de diferentes grupos que possam ampliar nosso repertório e assim, sermos mais compreensivos e inclusivos em nossas atitudes e pensamentos diários.

Antes de terminar, acho importante salientar (de passagem) que não é sempre que o cânone da arte reflete as minorias e as biografias e situações de grupos marginais à sociedade. Até o meio do século XX a história da arte era uma narrativa contada pelos abastados que tinham tempo e meios econômicos de estudar e criticar a arte. Mas aí é uma outra história da própria história da arte… que eu conto um outro dia…

 

Imagem: Yasumasa Morimura, Portait (Futago), 1988 – @ SFMOMA

“I see art not the gratuitous invention, but the intellectual development of man in history” – Jesús Rafael Soto

Since when I can remember, I have always been very much linked to art and culture. And as this blog (and Instagram) is increasingly becoming a reflection of my passion, I decided to explain why I love art and what I think about the history of art. It is not properly a manifesto, but a beginning of discussion … after all, what is the importance of art in the world?

For me, art and artistic production is not just a product to be consumed. Art is, in my view, the result of economic, social, philosophical, anthropological, spiritual, and physical situations that influence a human being with gifts and talents to come out of himself and produce for the world. Art is the representation of the biography of an artist, but also of the panorama in which this same artist is inserted. In this sense, then, art becomes the ultimate articulator of history. Art is the product (or just the concept – in another post I can explain more about it) that characterizes the era that was produced. Being an articulator, the visual charge of the image not only shows aesthetic choices, but shows the whole characterization of the period in which it was created. The visual arts can be confusing … but knowing how to read the image, it  never lies.

In addition, the history of art is also the visual history of the human being. We are beings that grasp concepts and realities by images. Having a background in art history, even if it is minimal, is more than fundamental to be able to distinguish and understand images in the 21st century. We are in an era where image is the chosen form of communication. Previously focused on text and in text interpretation, nowadays, image is the main medium of understanding the world.

Images can be manipulated, cut, and re-placed in contexts other than those that it have been produced to influence generations to certain thoughts. Knowing how to read these images, through a load of knowledge of the history of art, one can perceive manipulations if there is any, and even understand the real message that is being passed. For example, did you know that Surrealism (artistic and ideological movement of the 20th century) is still present in our reality? We are living in rippling waves caused by Surrealism and we still live through innumerable visual references of Surrealism.

I advocate broad and inclusive art education. With this kind of education, we can not only understand the history of the intellectual, emotional, psychological and spiritual development of the human being, but we can also be interpretive agents of the images that surround us. We can understand all this matrix and not just be passive consumers of the hundreds of visuals that surround us, but rather be critical of this imagery mass.

Having an artistic knowledge, we can integrate and embrace everyone. Understanding the other through the imaginative load that the other brings is not only valid, it is necessary for us to be able to put ourselves in its place, and to experience the world by different perspectives, by different images … Art can exclude, as it has already done so, but can also include. And I advocate the inclusion of a vast range of images from different groups that can broaden our repertoire, and thus, be more understanding and inclusive in our daily attitudes and thoughts.

Before concluding, I think it is important to point out (in passing) that it is not always that the canon of art reflects minorities and biographies and situations of groups marginal to society. Until the middle of the twentieth century the history of art was a narrative told by the wealthy who had the time and economic means to study and criticize art. But there this is another story of the history of art itself… which I can tell another day…

2. comentários

  • Manifesto – A Importância da Arte no Mundo / The Importance of Art in the World - Érica Giacomelli / 6 de junho de 2017 Responder

    […] post Manifesto – A Importância da Arte no Mundo / The Importance of Art in the World apareceu primeiro em Érica […]

  • Rosemary / 6 de junho de 2017 Responder

    Concondo e acho que arte
    não é só o que ensinam mas muito mais o
    que está por tras. Com isso podemos
    verificar que a obra se revela . Pensar é a
    reflexão mais adequada nesse mundo tão
    vasto da arte.!

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